Artigo Reflexão “A conversão da morte”

“Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. […] Se vier a dar fruto, bem está; senão, mandarás cortá-la”. Lucas 13.5, 9
Por: Adi Éber Pereira Borges
Durante a caminhada quaresmal, é interessante e importante que se pense na finitude da vida terrena; a vida à qual estamos acostumados, hora dessas terá fim. O que precisamos pensar e fazer em uma autoanálise é se estamos a viver próximo da plenitude existencial e aproveitando beneficamente o sentido dado pelo Criador, ou se estamos usufruindo apenas das trivialidades e da efemeridade da vida.

Sempre que a morte, de alguma forma, se aproxima de nós, temos a tendência de nos questionar, ou questionar a Deus pelos por quês da não continuidade da vida. Às vezes, para diminuir a nossa dor, desejamos achar culpados, o que, na maioria dos casos, se torna algo inútil, pois, não trará a pessoa de volta e não resolverá a nossa dor.
Assim fizeram com Jesus sobre dois acontecimentos que resultaram na morte de algumas pessoas. Jesus aproveita seus questionamentos e os convida para refletir, com profundidade, a respeito da condução, das escolhas, do sentido e da própria finitude da vida.
Se é verdade que todos nós um dia encararemos e passaremos pela morte, então devemos nos perguntar como a enfrentaremos. A pergunta não é se morreremos ou não, mas sim, como morreremos? Como estaremos existencialmente nesse momento? Com a consciência tranquila e o coração limpo, ou, carregando o peso da culpa e o coração cheio de maldades, amarguras e outros sentimentos ruins? Em que estaremos diferentes?
Jesus nos dá uma dica preciosa que nos ajuda a estarmos preparados para a nossa passagem. O segredo está no arrependimento e na disposição de mudança de atitude. Na teologia paulina, todas as pessoas indistintamente erram, todas elas cometem seus pecados e são culpadas. Todas as pessoas carecem da misericórdia, do perdão e da graça divina.
Mas antes de receberem o perdão é necessário o arrependimento sincero, pois, o perdão não é algo efêmero, mas sim, efetivo e altamente significativo. É preciso reconhecer nossos erros, nos arrepender de tê-los cometidos e mostrar durante a própria vida nosso proceder diferente, apresentando frutos de uma nova disposição de vida. É preciso converter a morte.

Em nosso ritual de Ofício Fúnebre consta um texto do Salmos que diz “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116.15). Santos são aqueles e aquelas que vivem nessa vida próximos de Deus; suas mortes foram convertidas em algo precioso, pois, ao morrerem estarão juntos de Deus.
O tempo nos foi concedido para darmos frutos dignos do arrependimento. Se assim entendermos, quando nossa lamparina se apagar nesse mundo, veremos a luz do amanhecer no reino dos céus.
Rev. Adi Éber Pereira Borges†