Artigo Reflexão: “Sejam pacificadores”
Foto: reprodução
Por: Adí Éber Pereira Borges
“Ao entrardes numa casa, dizei antes de tudo: Paz seja nesta casa! Se houver ali um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; se não houver, ela voltará sobre vós”. Lucas 10.5-6
Havia dois sitiantes que tinham suas terras fazendo fronteira uma com a outra. No fundo dos sítios corria um belo ribeirão que fornecia água suficiente para as duas propriedades. Havia também, em cada um deles, casas simples mas bem construídas e confortáveis, e uma pequena, mas bem funcional área de lazer. Num dos sítios havia uma pequena criação de porcos, no outro uma boa criação de galinhas.
A maior parte das terras foi reservada para a plantação; sendo que um dos sitiantes investiu na plantação de beterrabas e batatas, já o outro decidiu plantar café. O que investiu na plantação das leguminosas entendeu que era mais lucrativo e dependeria de menos trabalho; o que decidiu pelo cafezal foi movido pelo gosto e pela beleza das pequenas árvores. Ou seja, cada qual tinha a sua escolha e suas preferências.

Até aí, tudo ia muito bem, cada família estava envolvida e trabalhavam afinco de sol a sol e de chuva a chuva; cada qual produzia e ganhavam os seus sustentos através das vendas nas feiras das cidades vizinhas e ainda forneciam para outros estabelecimentos que comercializavam suas produções.
Num belo dia ensolarado, os dois sitiantes se encontraram por acaso à beira do ribeirão, e começaram a conversar sobre suas produções. Cada qual defendia seu ponto de vista, tanto de gosto como de lucratividade; defendiam suas opiniões com unhas e dentes e grande convicção. Diante da discussão acalorada, o inevitável aconteceu; um ficou bravo com o outro a ponto de se ofenderem e romperem suas relações de convivência.
Querendo expandir sua produção, o produtor de café, aproveitando a ausência do seu vizinho que havia saído de férias com a família, e pensando em aumentar o seu território, mudou a cerca de lugar uns dez metros para dentro do sítio vizinho, achando que o seu conterrâneo não perceberia tal manobra.
Acontece que ele não contava com o olhar milimétrico do produtor de tubérculos que, ao regressar, imediatamente percebeu que seu terreno havia encolhido. Começou aí uma grande discussão, guerra, violências e mortes. A paz que reinava naquela redondeza foi expulsa sem nenhuma cerimônia.

Observem bem que aqui a intenção não se tratava de convencer o outro a plantar o mesmo produto, mas sim apenas em aumentar o território de plantio. Não havia o que fizesse com que elas parassem com aquela guerra violenta.
Até que lhes foi enviada uma força tarefa através de uma equipe multidisciplinar, que tinha por premissa o restabelecimento da paz, e lhes ofereceram uma boa alternativa de redefinição de terras. Não foi fácil, mas, após muito diálogo ambos aceitaram o acordo e a paz voltou a reinar. Bem aventurados os pacificadores!
Rev. Adi Éber Pereira Borges†





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