Um reconhecimento justificável
“Damos, sempre, graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar, […] reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição.” 1 Tessalonicenses 1:2,4
Foto divulgação
Por: Rev. Adi Éber Pereira Borges
Não é fácil reconhecer o valor do outro. A tendência humana é olhar para si mesmo, considerar-se superior e, em um ato insensato, julgar, menosprezar e rejeitar não apenas opiniões e atitudes, mas também a própria pessoa. É uma realidade triste, porém, passível de transformação. Cristo, mesmo rejeitado, testado e questionado, não se recusava a dialogar com seus opositores e estava sempre disposto a ajudar.

Os companheiros de missão, Paulo, Silvano e Timóteo, aprenderam com Jesus e, ao observarem a realidade da igreja dos tessalonicenses, reconheceram e deram graças a Deus pela vida, pelas atitudes e pela perseverança na fé daqueles irmãos e irmãs.
O texto bíblico que abre esta reflexão faz parte do início da primeira carta do apóstolo Paulo aos Tessalonicenses, considerada uma de suas cartas mais antigas, escrita por volta do ano 51 d.C. Ao chegar a uma cidade, Paulo costumava procurar a sinagoga judaica local. Em Tessalônica, durante três sábados, anunciou Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado ao terceiro dia, como o Messias esperado pelos judeus (Atos 17:1-15). Ao perceberem que Paulo conquistava muitos adeptos, alguns judeus provocaram um tumulto, obrigando-o a deixar a cidade às pressas. Por isso, o apóstolo procurou manter contato com a nova comunidade cristã por meio de cartas.
Você acha difícil viver no mundo de hoje? Considera complicado manter não apenas a fé, mas também a sanidade diante da realidade em que vivemos? Permanecer firme na fé e nos princípios do Reino de Deus parece mais difícil atualmente?
Se as respostas forem “sim”, proponho uma reflexão: talvez parte dessa dificuldade esteja relacionada às facilidades do mundo moderno e à liberdade que conquistamos. Parece paradoxal, e de fato é, mas, muitas vezes, justamente quando tudo parece mais fácil, somos confrontados com novos desafios para permanecer firmes em nossos princípios.

Tessalônica havia se tornado uma cidade cosmopolita. Sua localização, às margens do golfo Termaico, favorecia o acesso às estradas romanas e ao porto, impulsionando o comércio e a exploração das riquezas agrícolas e minerais da Macedônia. A partir de 42 a.C., tornou-se sede de um procônsul, representante do Senado romano. Pessoas de diferentes lugares passaram a circular pela cidade, tornando-a diversificada em culturas, povos e religiões, com a presença de diferentes cultos e divindades.
A cidade era administrada por uma assembleia popular e contava com estruturas políticas e comerciais que favoreciam seu desenvolvimento. Também possuía uma sinagoga judaica, importante espaço de reunião e ensino religioso. Naquele período, Tessalônica se beneficiava da paz proporcionada pelo Império Romano. Era, sem dúvida, um lugar atraente para se viver!
Talvez seja justamente nesse contexto que compreendamos melhor o reconhecimento feito por Paulo, Silvano e Timóteo. Eles destacaram a fé, o amor e a esperança da comunidade cristã de Tessalônica, dando graças a Deus por aqueles irmãos e irmãs. Mesmo vivendo em uma sociedade repleta de oportunidades, influências culturais e tentações, eles permaneceram firmes, entregando suas vidas a Deus.

E nós? Como temos vivido a nossa fé diante das facilidades, das distrações e dos desafios do nosso tempo? Será que temos reconhecido o valor daqueles que permanecem firmes em seus princípios? Assim como os primeiros cristãos, somos chamados a cultivar a gratidão, valorizar o próximo e perseverar na caminhada com Deus.
Na facilidade ou na dificuldade dos nossos dias, permaneçamos firmes na fé, reconhecendo o valor do próximo e dando a Deus o que é de Deus.
Rev. Adi Éber Pereira Borges †
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