Juiz de Araçatuba é alvo de processo disciplinar por assédio sexual e moral contra serventuária
Foto: ilustrativa
Da redação Diego Alves
O Tribunal de Justiça de São Paulo vai abriu um processo disciplinar contra um juiz de Araçatuba, acusado por assédio sexual e moral contra uma serventuária do Fórum de Araçatuba (SP). O Tribunal vai apurar também o desvio de função, atrasos em audiências de custódia e demora em assinatura de alvarás e outros documentos.
Conforme a reclamação disciplinar, a serventuária é funcionária do Tribunal de Justiça desde 2005. Entretanto, os assédios tiveram início em meados de 2021, durante a pandemia. O juiz teria ido até o posto de trabalho da funcionária e iniciado uma conversa, questionando-a se ela teria feito plástica no “bumbum”, pois havia percebido que estava maior. Não satisfeito, teria feito outro comentário: que havia visto a mulher caminhando em uma avenida da cidade e reparado que o “bumbum” dela estaria maior que quando a conheceu.

Ainda de acordo com a reclamação disciplinar, após esse episódio, o juiz teria passado a frequentar o posto de trabalho da mulher para tomar café e eventualmente fazer cantadas sutis, como quais eram os seus planos para o final de semana e se estava namorando.
Tempo depois, o juiz teria convidado a mulher a trabalhar no seu gabinete. Ela ficou entusiasmada com a proposta, pois poderia aperfeiçoar seus conhecimentos em direito, mas ao mesmo tempo sentiu receio, temendo que o juiz exigisse algo em troca.
Um outro incidente ocorreu quando a mulher viajou até São José do Rio Preto para buscar um veículo e foi abordada pelo juiz, que ao saber que ela estava na cidade insistiu para encontra-lá para um café. Ela recusou, mas o juiz teria insistido, afirmando que iria até a concessionária para ajuda-lá. Ela ainda tentou despistar o juiz, alegando atraso na liberação do carro, mas ele teria ido até a concessionária, conversado com funcionários e sugerido que fossem tomar um chopp. Com a ajuda de um vendedor, que inventou um problema no cartório, ela conseguiu evitar o encontro.
Um outro fato teria ocorrido durante a preparação a uma visita a presídios, quando ela teria comentado que iria usar roupas mais largas, para evitar comentários por parte dos detentos. Pouco depois, ele teria perguntado sobre as tatuagens da funcionária, insistindo em vê-las. Ela então se negou e teria dito que se tratava de algo íntimo, que só mostraria para um namorado ou marido.
A serventuária levou o caso aos colegas e superiores, que a incentivaram a formalizar uma denúncia, entretanto, ela hesitou com medo de perder o cargo que ocupava, pela diferença salarial, essencial para sustentar seus filhos, um deles em tratamento médico e psicológico.
Em agosto de 2022, após a mulher comentar um caso de assédio envolvendo um outro juiz, o magistrado teria demonstrado nervosismo. A partir desse momento, teria passado a desmerecer o seu trabalho publicamente e a pressioná-la, em uma espécie de assédio moral.

Em fevereiro de 2024, após a internação do seu filho, a mulher solicitou autorização para o trabalho remoto. Porém, o juiz teria reagido com gritos e ameaças, dizendo que ela deveria tirar licença-médica.
Em agosto de 2024, um desentendimento agravou a relação profissional de ambos. Após solicitar trabalho remoto por sintomas gripais, a mulher decidiu ir trabalhar no dia seguinte, já que estava melhor. À noite, foi com uma amiga a um restaurante, onde por coincidência se encontrou com o juiz. Insatisfeito, no dia seguinte acusou-a de quebra de confiança. Poucos dias depois, ele comunicou a retirada do cargo em comissão da serventuária.
NEGOU
Ao Tribunal de Justiça, o juiz negou as acusações da serventuária. Ele disse que a convidou para trabalhar em seu gabinete, já que era a servidora mais antiga em seu setor e tinha concluído o curso de direito, além de terem feito pós-graduação na mesma turma.
Sobre o suposto assédio sexual, ele disse que os episódios narrados pela servidora, como os comentários sobre sua aparência física, tatuagens e sobre o perfume que usava, foram mal interpretados ou exagerados. Admitiu que a encontrou em São José do Rio Preto, mas que apenas a convidou para um café.
CRIME
A mulher registrou um boletim de ocorrência contra o juiz por crime de assédio sexual. Um procedimento de investigação foi distribuído a um desembargador do Órgão Especial do Tribunal de Justiça, que vai determinar se houve ou não o crime de assédio sexual. Mesmo que não seja reconhecido o crime, o juiz poderá sofrer sanção administrativa, já que responde ao processo administrativo
Compartilhem, deixe seu Like





Colisão entre motocicletas deixa dois feridos em cruzamento de Birigui
Jovem ferido na Rondon terá braço amputado após agravamento do quadro, em Araçatuba
Homem é detido após ocorrência de violência doméstica em Buritama
Operação Direção Segura realiza mais de mil testes do bafômetro em Araçatuba
Motorista passa mal, perde controle do carro e invade garagem de residência em Birigui
Shopping Praça Nova recebe feira de adoção neste sábado
PM intensifica fiscalização e apreende bicicleta motorizada na João Cernach em Birigui
Em busca do G8, Bandeirante encara o Rio Preto às 19h no Pedrão neste sábado