O Sonho

Da redação Diego Alves
Recordo-me que foi um dia exaustivo de trabalho. Estava cansado e sorumbático, por diversos motivos. Já era madrugada e lia o livro de Schopenhauer, “Sobre o sofrimento do mundo”, quando finalmente adormeci. Em seguida, ingressei pelo metafísico num mundo diferente, que lembrava Victor Hugo, como em “Do grotesco e do sublime”, narrando que o feio existe ao lado do belo, o disforme perto do gracioso, o grotesco no reverso do sublime, o mal com o bem, a sombra com a luz … Tudo se harmonizava e coexistia.

Deparei, de chofre, com Rui Barbosa, feliz, discursando – como nunca o fizera com tal teor, que o seu país era justo, as pessoas honradas e tinha satisfação – não mais vergonha, em ser honesto. Também me deparei com “Jô Soares” firmando um novo contrato de trabalho, de longo prazo, com uma emissora de Tv, porque havia segurança jurídica no país. Conversei com Cazuza e Elis Regina, sendo que ambos compunham novas músicas, desta vez, de forma inédita, enaltecendo a elite e a classe política.
Machado de Assis, com quem também proseei, pontuou, com seu refinamento indizível, que não tinha crítica social alguma a fazer; tudo estava perfeito. Vinicius de Moraes, o “poetinha”, por sua vez, mostrou-me belas novas composições musicais e poemas, todos inspirados na felicidade do povo; e não só, mais, na famosa “garota de Ipanema”. Estive com representantes dos Poderes Constituídos e todos, sem exceção, cumpriam com rigor as suas funções, sem visar a pessoalidade.

Tive contato com pessoas comuns, do povo, as quais estavam felizes por viverem num país com igualdade de oportunidades e justiça social. Notei que a corrupção findara, o meio ambiente estava preservado, a saúde pública atendia a todos e a educação estava no seu apogeu. As leis, lembro-me, eram elaboradas visando o bem comum e efetivamente cumpridas. Os julgadores, em todas as instâncias, tinham credibilidade, porque proferiam suas decisões de acordo com a lei, aliado à ínsita e necessária imparcialidade.
Platão, benfazejo, revelou-me, na ocasião, que depois de “A República”, a sua próxima obra seria “A nação ideal”, lembrando até a “Utopia”, de Thomas More, mas se referindo, segundo ele, ao nosso país, como fonte de inspiração. Nesse momento, acordei, esborcinado pela realidade!
Adelmo Pinho é articulista e promotor de justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo
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