Colorindo o Prato: alunos de Nutrição aprendem a conquistar crianças com comida criativa
A aula favoreceu o desenvolvimento de competências comportamentais consideradas essenciais para a prática clínica (foto divulgação)
Da redação Diego Alves
Como transformar brócolis, cenoura e beterraba em aliados da alimentação infantil? Esse foi o desafio proposto a 47 alunos do 5º termo do Curso de Nutrição do UniSALESIANO durante uma aula prática que uniu ciência, criatividade e muito cuidado com o paladar das crianças.

A atividade, realizada na disciplina de Nutrição e Dietética I e orientada pela docente Daniela Navarro D’Almeida Bernardo, teve como tema “Colorindo o prato: estratégias lúdicas para aumentar o consumo de vegetais na infância”. Os acadêmicos foram organizados em grupos e receberam um estudo de caso fictício: uma criança de 8 anos com recusa alimentar seletiva, especialmente em relação a hortaliças, legumes e frutas.
A missão era elaborar um planejamento alimentar completo, com cinco refeições diárias, nutricionalmente equilibradas, mas com um diferencial: as preparações precisavam ser atrativas, divertidas e capazes de despertar a curiosidade e o apetite de uma criança pequena. Formatos criativos, cores vivas, nomes lúdicos e apresentações que convidassem à experimentação foram as ferramentas utilizadas pelos grupos.

NEOFOBIA
A proposta parte de uma realidade bem documentada na literatura científica: a baixa ingestão de vegetais na infância está frequentemente associada à neofobia alimentar — o medo ou a resistência ao consumo de alimentos novos ou desconhecidos. Quando essa recusa se prolonga, ela pode comprometer a ingestão de vitaminas, minerais e compostos bioativos essenciais para o desenvolvimento saudável e para a prevenção de doenças ao longo da vida.
“A estratégia lúdica surge, nesse contexto, como uma resposta baseada em evidências. Pesquisas mostram que fatores como aparência, cores, texturas e formatos criativos influenciam significativamente a aceitação alimentar infantil — muitas vezes mais do que o próprio valor nutricional do alimento”, explicou Daniela.
Segundo a docente, a utilização de uma abordagem baseada em estudo de caso mostrou-se eficaz como estratégia de ensino-aprendizagem, por estimular a autonomia, a resolução de problemas e a integração entre teoria e prática. “Fiquei extremamente orgulhosa em ver o comprometimento, dedicação e o desempenho com a resolução do problema, afinal nutrir vai muito além do alimento — envolve cuidado, estratégia, olhar humanizado e conexão. Meus parabéns a todos!”

SOCIEDADE
Para a Coordenadora do Curso de Nutrição, Profª. Ariadine Pires, iniciativas como essa são fundamentais para a construção de um perfil profissional mais completo e sensível às demandas reais da sociedade. “Quando nossos alunos aprendem a pensar além da prescrição, desenvolvendo soluções criativas e empáticas para desafios reais, estamos formando nutricionistas prontos para transformar vidas”, ressaltou.
Ainda segundo Ariadine, além do domínio técnico-científico, a aula favoreceu o desenvolvimento de competências comportamentais consideradas essenciais para a prática clínica: pensamento crítico, trabalho em equipe, autonomia na tomada de decisão e capacidade de propor intervenções humanizadas.
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