Médico, professor e voluntário: a missão do Dr. Ângelo Jacomossi entre os povos Bororo e Xavante
Ao todo, 51 voluntários seguiram para o Mato Grosso, no dia 25 de junho, onde permaneceram até 6 de julho deste ano.
Fotos divulgação
Da redação Diego Alves
Enquanto muitos aproveitam as férias para descansar, o Dr. Ângelo Jacomossi escolheu um caminho diferente. Docente do Curso de Medicina do UniSALESIANO, endocrinologista, médico de família e Coordenador Médico da Zatti Saúde, ele integrou o grupo de voluntários da 8ª edição do Voluntariado Acadêmico Missionário Salesiano (VAMS), levando sua experiência clínica e sua vocação de cuidado às comunidades indígenas Bororo e Xavante, em Mato Grosso.

Para Jacomossi, a participação no VAMS não nasceu de um impulso repentino, mas de um desejo antigo, cultivado desde a infância e amadurecido ainda nos tempos de estudante de Medicina. Foi naquele período que ele percebeu que a prática médica poderia ir muito além de seu propósito pragmático: poderia se tornar também um instrumento de humanização e de construção de pontes com realidades muito diferentes da sua.
O convite do Reitor do UniSALESIANO, Pe. Paulo Vendrame, e do Pró-Reitor de Pastoral, Pe. Paulo Jácomo, para integrar o voluntariado chegou, segundo ele, no momento certo — a oportunidade que faltava para transformar em vivência algo que, até então, ele conhecia apenas por livros, reportagens, filmes e documentários. “Sempre tive muito respeito e admiração. Já havia lido, assistido… mas nunca vivenciado”, resume o médico.
À frente das atividades assistenciais, o objetivo do médico foi duplo: oferecer cuidado ao maior número possível de pessoas, com a participação ativa dos acadêmicos do UniSALESIANO, e compreender, sob uma perspectiva epidemiológica, quais são as condições crônicas de saúde mais prevalentes nessas comunidades — sempre respeitando as diferenças culturais e os determinantes sociais que envolvem o processo de adoecimento.
Acompanhado por alunos e, em especial, pelo Pró-Reitor de Pastoral, Jacomossi realizou atendimentos em diversas aldeias das culturas Bororo e Xavante, em espaços comunitários e também dentro de ambientes domésticos. A equipe visitou Unidades de Saúde Indígena, dialogou com enfermeiros e médicos que atuam diretamente com essas populações, distribuiu medicamentos e realizou orientações sanitárias. Os atendimentos, segundo ele, ficaram devidamente registrados.

CONVIVÊNCIA
Um dos aprendizados mais marcantes da experiência, para o médico, foi entender que é possível conviver profundamente com culturas distintas sem abrir mão de quem se é. “Acredito que há diversas possibilidades de viver e existir. Manter a mente aberta tornou a experiência muito rica. Não preciso me abandonar para aceitar o outro”, reflete. Foi com espírito de humildade, agregação e respeito que ele diz ter conseguido se aproximar de realidades tão diferentes da sua própria.
Dessa vivência, Jacomossi extrai uma convicção que carrega para sua prática cotidiana: a eficácia da comunicação clínica — pautada por competência cultural, autonomia, horizontalidade e uma postura não julgadora, que empodera indivíduos e comunidades para a gestão do autocuidado — é um ponto essencial a ser trabalhado na Medicina. Para ele, uma comunicação clínica mais eficaz tem o potencial de melhorar, e até salvar, muitas vidas.
O médico também planeja que a experiência gere frutos que ultrapassem o campo pessoal: a produção de publicações acadêmicas e o planejamento de ações sanitárias em benefício das comunidades visitadas, sempre alinhadas ao que as próprias lideranças do VAMS já conhecem, ao que esses povos desejam para si e ao que ele, como médico, aprendeu nessa vivência.

VAMS
Ao todo, 51 voluntários seguiram para o Mato Grosso, no dia 25 de junho, onde permaneceram até 6 de julho deste ano, desenvolvendo atividades de integração, educação, cultura, pesquisa, espiritualidade e serviço nas aldeias de Meruri e São Marcos, junto às comunidades atendidas pela Missão Salesiana de Mato Grosso.
A trajetória do Dr. Ângelo Jacomossi no VAMS ilustra bem o espírito do programa: unir formação humana, compromisso social e produção acadêmica. Ao dedicar suas férias a essa missão, o docente reafirma, na prática, o que ensina em sala de aula — que a medicina, antes de tudo, é também um exercício de escuta, respeito e encontro com o outro.



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