Artigo “Estou convencido”
“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.” (Romanos 5.19)
Por: Rev. Adi Eber Pereira Borges
Tenho observado que ainda há muita gente convencida de que, por conta de posicionamentos, convicções e ideologias político-partidárias A e B, pode e deve romper relações de amizade, perder laços familiares, abrir mão de oportunidades de bons negócios e até da convivência fraterna na fé.

Há também aqueles e aquelas que se deixam convencer de que o seguimento religioso é mais importante do que a convivência amorosa e o diálogo respeitoso, perpetuando conflitos, afastamentos e uma defesa fundamentalista da fé.
Creio que todas as pessoas podem e devem ter suas convicções, seus posicionamentos e seguir esta ou aquela ideologia de vida, seja no âmbito político, social ou religioso. O que não podem é fazer prejulgamentos que não lhes competem e permitir que isso as impeça de viver o que Cristo nos ensinou.
Mas há outro tipo de convencimento — e esse, sim, é profundamente benéfico. Estou convencido, pelo Espírito de Deus, de que sou um tremendo pecador e que careço da misericórdia e da graça divinas. Sou conduzido pelo Espírito a compreender que sou desobediente à vontade de Deus e, por isso, Jesus, o Cristo, me representa diante d’Ele.
Na Carta enviada aos Romanos, o apóstolo Paulo comunica essa dinâmica da salvação e da transformação da condição humana. Ele fala de forma comparativa entre o primeiro homem — no sentido antropológico, ou seja, representando a primeira humanidade — e Cristo, como o segundo ser humano, agora regenerado.
Estabelece-se uma ligação diametralmente oposta: Adão, não entendido apenas como uma pessoa, mas como representatividade da humanidade, pecou e ofendeu a honra divina; por Cristo, assumindo a humanidade perfeita, foi manifestada a justiça de Deus que, por graça, nos devolveu a vida.
Contudo, só crê nisso aquele que, conduzido pelo Espírito, é convencido desse processo de aceitação, conversão e santificação.

Paulo falava com propriedade. Ele mesmo havia experimentado esse convencimento pelo Espírito Santo em sua conversão na cidade de Damasco. Sabia do que estava falando — assim como eu sei, e talvez você também já saiba.
Neste período quaresmal de contrição, arrependimento e preparação para a Páscoa, eu quero ser ainda mais convencido e guiado pelo Espírito de Deus. Se estou convencido de quem eu sou e do que eu preciso, desejo continuar sendo convencido por Ele da minha total dependência de Deus.
Esse convencimento precisa ser diário, constante, renovado. Temos a tendência de nos esquecer disso e de imaginar que somos autossuficientes e poderosos.
Rev. Adi Éber Pereira Borges





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