Pediatra acusa gestão temerária na Santa Casa e afirma ter sido impedido de exercer atividades no hospital
Foto reprodução
Da redação Diego Alves
O médico pediatra e intensivista Prof. Dr. Anderson Dutra divulgou nesta quinta-feira (25) um comunicado público em que faz duras críticas à administração da Santa Casa de Araçatuba e afirma ter sido impedido de entrar na instituição para exercer suas atividades profissionais.
No documento, o médico atribui a decisão à administração do hospital, liderada pelo provedor Dr. Everton Henrique, e sustenta que a medida teria como objetivo enfraquecer sua atuação técnica e liderança dentro da instituição.

Anderson Dutra também contestou as medidas adotadas pela Santa Casa para enfrentar a recente superlotação de leitos pediátricos. Segundo ele, a transferência de cinco crianças para a UTI Neonatal 1, anunciada pelo hospital como parte do plano de contingenciamento, expõe o que classificou como uma “gestão temerária”, ao colocar pacientes neonatais extremamente vulneráveis em ambiente sujeito a maior risco de contaminação.
De acordo com o médico, existia um plano emergencial de contingenciamento elaborado por sua equipe e aprovado pela administração e pela diretoria técnica do hospital em março deste ano. A proposta previa a utilização de uma área física localizada no terceiro andar da instituição, conhecida como UCINCO, para funcionar como unidade respiratória emergencial destinada ao atendimento de crianças com síndromes respiratórias.
No comunicado, ele afirma que havia espaço físico, equipamentos, recursos financeiros disponibilizados pela Diretoria Regional de Saúde (DRS-2), além de profissionais de enfermagem, fisioterapia e equipe médica aptos a colocar o plano em funcionamento. Segundo o médico, a estrutura, entretanto, não foi ativada pela administração.

Anderson Dutra informou ainda que protocolou, em 10 de junho, um pedido de rescisão contratual junto à Santa Casa e encaminhou ao Ministério Público uma denúncia acompanhada de documentos que, segundo ele, apontariam irregularidades administrativas desde 2023.
Outro ponto destacado pelo médico refere-se à internação de crianças com quadros respiratórios em enfermarias pediátricas. Segundo ele, a decisão teria ocorrido contra sua orientação técnica. No comunicado, Anderson afirma que duas crianças teriam adquirido infecções respiratórias dentro da unidade e evoluído para quadros graves, estando atualmente internadas na UTI Pediátrica.
Ao final da nota, o médico reafirma seu compromisso com a defesa da saúde infantil e destaca os 30 anos de atuação profissional na região de Araçatuba.
Outro lado
A Santa Casa de Araçatuba informou anteriormente que adotou medidas emergenciais para ampliar a oferta de leitos destinados ao atendimento neonatal e pediátrico diante do aumento da demanda. A instituição também declarou que as transferências realizadas seguem protocolos assistenciais e de segurança estabelecidos para o atendimento dos pacientes.

O hospital informou que instaurou uma sindicância interna e esclareceu que o afastamento do médico tem caráter exclusivamente preventivo, não representando conclusão antecipada sobre eventual responsabilidade do profissional.
O hospital afirma que a medida visa garantir a integridade da apuração e a segurança dos pacientes, assegurando ao médico o direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
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