Plantão de Notícias

Santa Casa de Araçatuba desta médicos que fizeram a diferença e impulsionaram o hospital

Foto divulgação

Da redação Diego Alves

A Santa Casa de Araçatuba chega aos 95 anos com inúmeros exemplos de médicos que ao longo de sua história foram além da tarefa de socorrer em urgências e emergências e tratar pacientes internados. A visão de futuro desses profissionais contribuiu para consolidar a verdadeira vocação da instituição: ser um hospital de referência de atendimentos especializados para 40 municípios da região.

Nomes como os de Célio Mori, Sebastião Conrado Neto e Hélio Poço Ferreira, por exemplo, estão na instituição desde a época em que o corpo clinico era formado por poucas dezenas de médicos especialistas e os atendimentos do hospital estavam restritos à baixa e média complexidades.  

As inovações e empreendedorismo desses especialistas e os investimentos efetuados pelas várias diretorias que estiveram na gestão da instituição, resultaram no final dos anos 90, na elevação da Santa Casa de Araçatuba em referência em alta complexidade e na consolidação da estrutura atual, considerada compatível aos grandes hospitais. 

São 26 especialidades de alta complexidade, corpo clinico com 368 médicos e serviços médicos especializados de excelência e únicos na região como por exemplo nas especialidades de nefrologia, neonatologia intensivista, neurocirurgia, cirurgia pediátrica e medicina diagnóstica que ancoraram os mais de 271 mil procedimentos médico-hospitalares que a Santa Casa de Araçatuba realizou em 2021, 92% dos quais a pacientes do SUS.

“O trabalho desenvolvido por todos os profissionais médicos que atuaram e atuam na nossa Santa Casa foi e continua sendo fundamental para melhoria da assistência médica da população de Araçatuba e região. Através deles conseguimos desempenhar os atendimentos de média e alta complexidade em quase 30 especialidades, garantindo com isso saúde com qualidade, segurança e conforto para os pacientes e familiares”, define o provedor Petrônio Pereira Lima.

Para o diretor técnico, Carlos Henrique Mori, os investimentos que o hospital tem recebido das instituições governamentais e da comunidade, também são resultados do trabalho do médico. “ Um serviço é avaliado não somente pela estrutura física, mas também pela qualidade do serviço prestado ao usuário, sendo o atendimento médico crucial nesta avaliação, trazendo reconhecimento da sociedade e consequente investimentos ao Hospital. E neste aspecto nosso corpo clinico tem sido bem avaliado pelos usuários”, define Mori.

Célio Mori

O cirurgião ortopedista Célio Mori costuma dizer que “um hospital público não nasce pronto”. Fala com a autoridade de quem ao chegar à Santa Casa de Araçatuba em 1984 precisou de uma sala emprestada para instalar seu consultório. “No primeiro ano trabalhei sozinho nas cirurgias e   participava da escala de plantão gratuitamente”. 

A maioria dos seus pacientes eram os que ocupavam a enfermaria existente no subsolo do hospital destinada aos “indigentes”, denominação dada na época aos doentes que não eram cobertos pelo antigo INPS (Instituto Nacional de Previdência Social) e nem tinham dinheiro para pagar os tratamentos.

Decorridos 38 anos, os pacientes de Célio Mori e equipe são internados em uma ala que após recente reforma e revitalização é uma das mais confortáveis do hospital. Certo que esse e todos os avanços da especialidade são os frutos de seu pioneirismo e persistência em continua na Santa Casa, Célio Mori agora desfruta do status de professor tanto junto aos dez médicos ortopedistas que integram a equipe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia quanto os alunos da especialidade na grade de cursos da Residência Médica mantida no hospital, na qual atua como preceptor.  “A instalação da Residência de Ortopedia foi um sonho concretizado. Já formamos três turmas”.

Com a maior demanda dentre as especialidades cirúrgicas de alta complexidade da Santa Casa, o Serviço de Ortopedia e Traumatologia realiza em média 2 mil cirurgias por ano e está apto para oferecer em futuro próximo um novo avanço para o hospital: a criação do centro regional de referência em atendimento de trauma.

“Sinto que mesmo com 45 anos de Medicina, sou útil para resolução dos problemas ortopédicos que afligem a população. Por outro lado, quero continuar formando jovens especialistas sobre conhecimento, ética e compaixão para com os menos favorecidos”, afirma Célio Mori.

Célio Mori, cirurgião ortopedista

Sebastião Conrado Neto

O pioneirismo do otorrinolaringologista Sebastião Conrado Neto, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, também está associado a outro importante avanço da Santa Casa de Araçatuba, a UNACON – Unidade de Alta Complexidade em Oncologia-, um centro de referência completo para o tratamento de câncer que integra a Rede Estadual “Hebe Camargo” de Combate ao Câncer da Rede Hebe Camargo. 

“O Serviço de Oncologia aproximou a população de Araçatuba e da região do tratamento”, comemora Conrado Neto. Com média de 42 mil atendimentos/ano, a Unacon da Santa Casa também está integrada ao Centro de Oncologia Bucal da Unesp (COB) no qual o cirurgião atua. O Serviço também é estimulo à formação de novos especialistas através da Residência Médica e o Internato curso de Medicina do UniSalesiano.

O cirurgião recorda, que, no entanto, até conseguir ver sua especialidade reconhecida e um Serviço de Cirurgia Oncológica consolidado no hospital, muitos desafios precisaram ser vencidos por ele e pela instituição. “Na época meu maior desafio foi ingressar no corpo clinico da Santa Casa como especialista em cirurgia de cabeça e pescoço” afirma ao rememorar que em 1986 quando chegou, a otorrinolaringologia, sua especialidade principal não era associada à oncologia, “até porque não havia ninguém especializado na área oncológica no hospital. 

Em meados dos anos 90 chegaram os primeiros oncologistas e os investimentos efetuados pela instituição, governo do Estado e comunidade possibilitaram a formação do Serviço e o credenciamento da Santa Casa de Araçatuba como referência de tratamento especializado de todos os tipos de câncer, exceção apenas de retinoblastoma, tumor maligno que atinge a retina.

Conrado Neto também aponta como avanços a compra de equipamentos de ponta que possibilitaram substituir as cirurgias abertas por procedimentos através de videolaparoscopia e a capacitação das equipes multidisciplinares. “A parte técnica da enfermagem e outras funções também evoluiu muito. A preparação desses profissionais é um apoio importante para os pacientes, principalmente no pós-operatório, pois são cirurgias de grande porte e muito complexas”.

Sebastião Conrado Neto, otorrinolaringologista

Hélio Poço Ferreira

Em dezembro próximo, o cirurgião torácico e cardiovascular Hélio Poço Ferreira completa 44 anos de formado, 37 dos quais na Santa Casa de Araçatuba.  Ao chegar ao hospital em 1985 o cirurgião já estava capacitado em relação aos avanços do tratamento das doenças do coração.  No entanto esbarrava na falta de estrutura para colocá-los em prática. “O grande desafio era consolidar um serviço de alta complexidade em cirurgia torácica e cirurgia cardiovascular em uma época em que o hospital era de média complexidade”, explica Hélio Poço.

Com capacidade de investimentos limitada em decorrência do alto índice de atendimentos aos pacientes do SUS que remunera os procedimentos sem os reajustes necessários, o hospital só conseguiu iniciar a estruturação da especialidade em 1995, quando foram realizadas as primeiras cirurgias cardiovasculares.

Decorridos 27 anos, o Serviço de Cirurgia Cardiovascular e Torácica é considerado como centro de excelência para tratamento de cardiopatias. A estrutura envolve ambulatório da especialidade para o primeiro atendimento, centro para diagnóstico com tecnologia de ponta para exames e procedimentos de cardiologia intervencionista, sala cirúrgica, ala de internação e UTI exclusivas, pronto-socorro 24 horas e ambulatório para acompanhamento de portadores de marcapasso artificial.

 “Essa consolidação foi possível pelo apoio que recebemos das várias diretorias que atuaram nesse período e do corpo clinico que sempre estiveram dispostos em ajudar”, reconhece o cirurgião que juntamente com sua equipe realiza em média 350 cirurgias por ano dentre revascularização do miocárdio, implantação de próteses valvares e de marcapasso e correção da dissecção da aorta.

O bom desempenho não impede Hélio Poço de manter seu foco direcionado para o futuro.  “O desafio desse momento para quase todas as especialidades cirúrgicas é a criação de estrutura necessária para realização de procedimentos minimamente invasivos”, informa.  Na cirurgia torácica por exemplo, esse avanço humaniza dentre outras, a lobectomia pulmonar, procedimento para retirada total dos lobos pulmonares realizada por videotoracoscopia, técnica pouco invasiva utilizada no tratamento oncológico dos pulmões.

“A técnica ainda não é custeada pelo SUS, mas com o envolvimento de todos os setores pode caminhar para a viabilização. Podemos utilizar essa mesma força também para credenciar a Santa Casa de Araçatuba para a realização de tratamentos endovasculares (tratamento de doenças vasculares através da utilização de cateteres)”, planeja Hélio Poço.

Quando indagado sobre o que move um profissional que a exemplo dele já está consolidado, continuar projetando o futuro de um hospital público no qual cumpre jornadas extenuantes dentre cirurgias, pacientes internados, consultas no ambulatório, e não raros atendimentos de urgência e emergência, Hélio Poço responde: “Amo o que faço e graças a Deus tenho saúde realizar. Há também o aspecto social, pois o que faço é importante para a sociedade. Por outro lado, estou devolvendo o que a sociedade investiu para minha formação; do primário à universidade estudei em escola pública, então sinto que estando em condições, tenho de devolver para a sociedade o que ela investiu na mina carreira, atuando em um hospital público com a mesma dedicação com que atuo um hospital privado”.

Hélio Poço Ferreira, cirurgião torácico e cardiovascular

Compartilhem, deixe seu Like 👍

1
Olá !
Fale Conosco.
Powered by