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Influenciadora de 19 anos assassinada pelo namorado será enterrada neste sábado em Lins

Karen, que deixa dois filhos pequenos, atuava como influenciadora digital em duas redes sociais e tinha cerca de 115 mil seguidores na soma das plataformas

Da redação Diego Alves

Será enterrado na tarde deste sábado (20), em Lins, o corpo da influenciadora digital Karen Vitória Mariano Pereira, 19 anos, assassinada no início da madrugada desta sexta-feira (19) com uma facada no pescoço pelo namorado, Givanildo Freitas dos Santos, 43 anos, em Araçatuba.

O crime foi cometido no bloco 2 do condomínio residencial Gardênia, localizado na rua Antônio dos Santos Ribeiro, no conjunto habitacional Antônio Villela. E ocorreu minutos antes de Givanildo ser morto pela Polícia Militar ao reagir à abordagem dos agentes de segurança que foram ao condomínio após receberem informações sobre um feminicídio no local.

Enquanto o apartamento era cercado pelos policiais, Givanildo fazia uma transmissão ao vivo pela rede social Facebook, o que fez com que o duplo homicídio ganhasse grande repercussão local e regional, já que as imagens viralizaram em diversas cidades. Ele era de Guararapes e foi sepultado no fim da tarde desta sexta no cemitério da cidade.

Em contato com a funerária São Judas Tadeu, de Lins, a reportagem da Folha da Região apurou que o corpo de Karen será velado no local a partir das 7h deste sábado. O enterro vai ocorrer na parte da tarde, mas o horário ainda não havia sido definido.

A família da vítima mora no bairro Santa Teresinha, é de baixa renda e precisou contar com o apoio do Fundo Social de Solidariedade de Lins para o transporte do corpo da garota. O cadáver deixaria o IML (Instituto Médico-Legal) de Araçatuba entre o fim da tarde e o início da noite.

A mãe de Karen, identificada como Simone, estaria lutando contra um câncer de mama, o que agravaria ainda mais a situação financeira da família.

INFLUENCIADORA

Karen atuava como influenciadora digital em duas redes sociais e tinha cerca de 115 mil seguidores na soma das plataformas — além do perfil pessoal, mantinha as contas da loja virtual de que era proprietária e por meio da qual comercializava bonecas reborn (semelhantes a um bebê humano).

De acordo com informações de uma irmã de Karen menor de idade, a influenciadora e Givanildo mantinham uma relação “bastante tóxica” se considerado o pouco tempo de namoro — os dois estavam juntos havia aproximadamente apenas cinco meses.

Segundo ela, Givanildo mostrava ser muito ciumento, a ponto de apresentar comportamento obsessivo em relação à companheira, que impedia de sair de casa ou tirar fotos. A obsessão teria chegado ao ponto de despertar nele uma injustificável desconfiança de infidelidade: Karen teria um caso com outro homem e o estaria traindo no próprio apartamento em que moravam.

“Eles tinham, mesmo nestes poucos meses de namoro, muitas idas e vindas, largavam e voltavam”, disse a irmã da Karen. “Eu já estive no apartamento deles duas vezes e em ambas ele me tratou com frieza; só me aceitava por eu ser a irmã dela”, contou.

Karen deixa dois filhos pequenos, inclusive uma bebê de 10 meses, ambos de outro relacionamento. Nas redes sociais, amigos e familiares dela lamentaram a tragédia que se abateu sobre a família e houve dezenas de postagens de consternação.

Também no fim da tarde desta sexta, a reportagem conversou com uma sobrinha de Givanildo. A mulher disse que todos os que o conheciam ficaram bastante chocados com os acontecimentos e que ele, apesar de ter problemas com uso de drogas, era um homem trabalhador — consta que atuava em uma clinica especializada em desintoxicação para dependentes químicos.

“Ele trabalhava nisso com afinco, não sabemos o que aconteceu com ele para que tomasse essa atitude”, comentou a sobrinha. “Não temos palavras para descrever o que aconteceu, não vai nem ter velório, estamos perplexos”, disse ela, informando que a família queria privacidade e, por isso, optou por sepultá-lo sem que o corpo fosse velado.

O Caso

Givanildo Freitas dos Santos foi morto pela Polícia Militar de Araçatuba no início da madrugada desta sexta-feira (19) minutos após assassinar a namorada. Enquanto o apartamento em que  estava era cercado por policiais, ele fazia uma transmissão ao vivo pela rede social Facebook. Ele  matou a namorada, Karen Vitória Mariano Pereira, 19 anos, com uma facada no pescoço.

A PM havia sido acionada para apurar um possível feminicídio no condomínio. A informação inicial era de que Givanildo estaria em um outro endereço, onde os policiais não encontraram ninguém. Quando deixavam o conjunto, os PMs foram abordados pela irmã de Givanildo, que os informou sobre o real paradeiro dele — estava, naquele momento, em um outro apartamento do condomínio.

No local, a polícia verificou que Givanildo havia trancado o apartamento e colocado um guarda-roupa, uma cadeira e um colchão de casal para bloquear a porta e impedir o acesso dos agentes de segurança.

Enquanto negociavam a entrada no imóvel, presumindo que Givanildo mantinha a namorada como refém, já que ele dizia que ela estava em seus braços, os PMs constataram que ele fazia a transmissão, com falas sem sentido. As imagens mostram o rapaz circulando pelo quarto e marcas de sangue no colchão.

A negociação com Givanildo foi comandada pelo primeiro tenente Renato dos Reis. É possível constatar, na live, que o policial tenta convencê-lo a sair do apartamento e garante sua integridade física. “Levanta as mãos e saia, vai ser melhor para todos, vai ser melhor para você”, diz.

Aparentando estar bastante alterado, o homem se dirige aos PMs. “Levanta a mão por quê? Não arromba, quero minha família, em nome de Jesus, quero minha irmã Juceli”, afirma.

O tenente, então, insiste para que se renda. E ele não obedece. “Estou fazendo uma transmissão ao vivo no Facebook. Então me executa, mano. Olha aí, a polícia está me executando aqui no apartamento. Vocês vão atirar? Tá vendo, pessoal, tem que matar, tem que matar, fecha a porta”.

Como perceberam que ele estava alterado e não mostrava disposição para se render, os PMs decidiram arrombar a porta do quarto. Ao entrarem, conforme o boletim de ocorrência, Givanildo partiu para cima dos militares, que usaram inicialmente uma arma de choque.

Como ele não foi contido e partiu para cima da polícia, os dois disparos que o mataram foram feitos. “Ele tentou pegar a arma, uma pistola, que estava com um sargento e foi necessário que o soldado Luis Bertolotti atirasse duas vezes contra ele, que estava portando a faca (com que a namorada foi morta)”, disse o tenente.

No quarto, os policiais encontraram Karen morta com um profundo corte no pescoço. O óbito foi confirmado por um socorrista do Samu, que também atestou a morte de Givanildo.

Perícia da Polícia Científica realizada no local apreendeu a faca, dois estojos de munição disparados pela arma do policial, dois cartuchos de arma de choque e o celular de Givanildo, além de uma mochila com anabolizantes e um tubo de cocaína.

Assim que o duplo homicídio foi confirmado, o tenente Renato dos Reis telefonou para o delegado de polícia Juliano Albuquerque e para o promotor de Justiça Adelmo Pinho. As duas autoridades estiveram no local e chamaram a perícia para o colhimento de provas. Foi feito também um exame residuográfico nas mãos do sargento que disparou os dois tiros fatais contra o acusado.

A Polícia Civil vai instaurar inquérito para investigar o duplo homicídio — um qualificado, com autoria de Givanildo, e o perpetrado pelo sargento da PM, que afirma ter agido em legítima defesa, já que o acusado investiu contra ele e tentou retirar a arma de suas mãos com uma faca em punho. Inquérito da Polícia Civil não tem prazo para ser concluído, mas deverá ser requerida uma reconstituição do crime.

Fonte: Folha da região

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